CAPÍTULO 50 - CARPE DIEM
Eu mesma, incapaz de conter o choro, mergulhei Antoine na banheira de água morna. Cuidei dela como nos dias em que ainda era uma criança pequena, curiosa e cheia de vida. — Acorda, por favor. Só acorda. — Supliquei enquanto secava, com mãos trêmulas, seu corpo de adolescente. Recusei a ajuda de Vincenzo. Recusei qualquer toque. Recusei qualquer palavra. Sozinha, carreguei minha menina até o quarto. Vesti-a com seu pijama preferido. Penteei seus cabelos. Acomodei-a na cama. Ela parecia apenas dormir. No local onde Liam havia cravado a adaga, nada restava além de uma pequena cicatriz esbranquiçada. Pela primeira vez, aceitei o óbvio. Antoine não era humana. Talvez nunca tivesse sido. Ainda assim, era minha filha. E continuaria sendo, independentemente daquilo que habitasse seu sangue. Sem conseguir compreender a estranha serenidade de Leo e a apatia de Vincenzo, agradeci, em silêncio, ao Criador por tê-la poupado. Mesmo sem o dom da telepatia, quase podia ouvir a voz de Vincenzo ec...