EPÍLOGO
Abro os olhos. Encaro o teto do quarto, tentando não me lembrar do sonho. Um sonho ruim. Chove lá fora. Dentro do quarto, faz frio. Meu coração ainda bate. Devo comemorar? Acho que sim. Afinal, pela segunda vez, ele quase parou de bater. Seu calor me aquece assim que o vejo correr em minha direção. Matteo salta sobre a cama e me enche o rosto de beijinhos antes de ordenar: — Levanta, mãe. Não quero me atrasar. — Ah... tá. De pé, em uma reverência dramática, aviso: — Em dez minutos sua escrava estará à sua disposição, Sir! — Matteo, mãe. Matteo Rossi. O Rossi é do meu pai. — Desde quando você aprendeu a falar tão bem assim? Eu preferia o seu clássico: "Mamãe dodói". Rindo, ele me abraça enquanto resmungo: — Um filho prodígio. Era tudo o que me faltava. A quem você puxou? — Ao meu pai e à maninha. Indignada, pergunto enquanto faço cócegas em sua barriga: — E eu? Eu não sou inteligente? — É sim! — grita ele, aos risos. — Mas eu sou mais do que você! Escapando de mim, corre até...