CAPÍTULO 48 - FECHE OS OLHOS
Não houve sepultamentos. Não sem corpos. Celeste virou fuligem. Enrico desapareceu como se jamais tivesse existido. Ainda sinto o cheiro de rosas preso aos lençóis de sua cama. Eu mesma faço questão de lavar suas roupas, seu pijama, tentando encontrar algum vestígio dele entre o tecido úmido e minhas mãos trêmulas. “Ainda não terminei minha missão.” Talvez eu tenha realmente ouvido sua voz. Ou talvez fosse apenas o eco daquela noite atravessando minha mente durante a festa que Antoine organizou para celebrar meu retorno. Meu retorno ao inferno. Porque é isso que esta casa se tornou. Um inferno do qual não posso fugir. Não sem meus filhos. Antoine dorme há dois dias. Sua temperatura oscila entre trinta e sete e quarenta graus enquanto Leo a vigia como um soldado exausto protegendo o último pedaço de mundo que lhe restou. Ele quase não sai do quarto. Só o faz quando eu insisto. Vincenzo lhe deu licença da academia assim que percebeu o estado em que ele se encontrava. Ainda não cons...