CAPÍTULO 16 - MORGANA - VOLUME II
Chegamos ao castelo ao anoitecer. Celeste nos recebe de braços abertos e olhos aflitos. Antoine narra o que restou do meu casamento como quem descreve uma tragédia distante. Eu apenas escuto. No quarto, tiro o vestido que Ga’al me deu no dia em que dançamos sob a chuva. — Ela mente… — murmuro, esfregando inutilmente a mancha de sangue no tecido branco dentro da banheira. — Isabella vai pagar. — Cuidado. Palavras têm força. Viro-me, furiosa. — Não entras assim em meus aposentos! Giovanni desvia o olhar ao perceber que estou nua, coberta apenas pelo vestido encharcado. — Perdão. Estou preocupado contigo… e com o bebê. Ele aponta, constrangido, para o sangue seco em minhas coxas. — Nosso filho ainda vive? — Não existe “nosso”. — Minha voz falha. — Ele é de Ga’al. Sempre será. Respiro fundo. — E vive. Mas eu… não sei se ainda vivo por dentro. — Vais viver. — Ele se aproxima. — Estarei contigo. — Afasta-te. — Dou um passo atrás. — Por tua causa perdi meu marido. Uma co...