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CAPÍTULO 46 - INEVITÁVEL

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  — E o que eu faço agora, mãe? — Nada. — Respondo, deitada ao seu lado sob as cobertas. Fixamos os olhos no teto de seu quarto enquanto ela tenta organizar os próprios sentimentos após o beijo de Leo. — “Deixa rolar”, como diria seu pai. — Sorrio, embora meu coração esteja apertado. — Ele disse alguma coisa? Te pediu em namoro? Gargalhando, Antoine cobre o rosto com as mãos. — Sim. Não é fofo? O que eu faço, mãe? Nada. Fuja. Diga não. Você é tão nova. — Mãe? Volto os olhos a ela, afofo o travesseiro e expiro lentamente antes de perguntar: — O que você sente por ele, de verdade? — Não sei. Nunca senti isso por você, pelo papai, pelo vovô ou pelo maninho. Eu amo vocês… mas só conheço esse tipo de amor. O amor de família. — Faz sentido. — Murmuro, afastando, mais uma vez, a ideia absurda de que Antoine talvez realmente seja um querubim. Todos os sinais apontam para isso. Ainda assim, continuo resistindo. — Você praticamente só viveu conosco, filha. Nunca teve experiências desse tipo....