CAPÍTULO 9 - BAD LIAR





— Ninguém me toca!


O grito rasga o corredor de pedra. Raios azul-violáceos explodem das minhas mãos. Um dos seres é lançado contra a parede. O cheiro de carne queimada se mistura ao enxofre.


Eles continuam vindo.


Eu penso no meu filho.


E algo dentro de mim se levanta.


O corredor termina num salão colossal.



Ele está lá.


Sentado num trono talhado na rocha, como se a montanha tivesse cedido só para sustentá-lo. Bonito demais para aquele lugar. Delicado demais. Perfeito demais.


Um único facho de luz cai sobre ele.


Mulheres nuas disputam sua atenção.


Ele ignora todas.


Só olha para mim.


Um gesto com os dedos.


Convite.


— Pra quê!?


Palmas grotescas ecoam pelo salão.



Subo nas pedras. O camisolão branco arrasta na lama. Vejo sangue no ventre.


Paro.


Toco.


Nada.


— Meu filho está bem.


Ele inclina a cabeça.


— E por que não estaria?


O céu é imóvel. Morto.


— Onde estou?


— Vamos lá, Adessa. Me decepcione menos.


— Estou no inferno?


A plateia gargalha.


Uma mulher encosta a língua no meu pescoço.


Eu a empurro.


— Nojenta!


Um gesto dele.


Ela rasteja para longe.


— Estou sonhando?


— Sim.


— Quem é você?


Ele sorri.


— Você sabe.


Meu coração dispara.


— Lúcifer?


— Não. J.C.


Eu o encaro.


— Não brinca comigo.


Ele suspira.


— Eu não sou tão feio quanto pintam.



Ele me observa como quem analisa uma falha.


— Você vai sofrer muito. E eu não posso interferir nos planos do meu Pai.


Os olhos sobem para o céu.


Raiva contida.


— Deus?


A mandíbula dele tensiona.


— Um dia eu te conto a verdade.


Ele volta a me encarar.


— Vincenzo te segue desde que você nasceu.


O nome corta mais que qualquer lâmina.


— Por quê?


— Porque ele caiu por sua causa.


O ar pesa.


— De onde?


— Não vou estragar a história.


Ele se inclina.


— Ele fez um pacto.


Meu estômago afunda.


— Que pacto?


— Você não se lembra?


Silêncio.


— Não grita comigo!


— Você não é surda. Só conveniente.


Ele se aproxima.


— Eu não sou o único com vocação para o mal.


O fogo cresce ao redor.


— Diga ao seu grande amor que vou cobrar o que me deve. E, se ele fingir que não entende… eu conto tudo.


— Ele me salvou.


Ele ri.


— Coincidência não é milagre, Adessa.


Serpentes se enrolam aos meus pés.



— Afaste-se dela. — a voz dele ecoa.


As cobras obedecem.


Ele segura meu queixo sem me tocar.


— Ele te fez esquecer.


O chão parece ceder.


— O quê?


— O acordo.


O fogo sobe.


— O prazo acabou.


A plateia explode em gargalhadas.



— Eu não tenho medo de você! — eu grito.


Ele me encara.


Não cruel.


Cansado.


— Esse fogo não é o que te queimou antes.


Tudo desaba.


Eu caio.



Acordo no galpão.


Vincenzo segura meu rosto.


Reza em latim.


— O nome dele é Lúcifer.


Silêncio.


Ele recua dois passos.


— Lúcifer?


Sem ironia.


Sem controle.


— Ele quer que você cumpra o acordo.


Ele fecha os olhos.


— Não posso contar.


A frase me acende.


— Você apagou alguma coisa da minha cabeça, não foi?


Ele explode:


— VOCÊ NÃO SE LEMBRA DE NADA!


E foge para o ringue.


Soca o saco de pancadas até cair de braços abertos no chão.


Como crucificado.


— Fiz merda. — ele murmura.


Eu subo no ringue.


— Então deixa eu te ajudar!


— Vai embora.


Ele veste a máscara.



— Volta pro teu estúdio. Teus machos devem estar com saudade.


Os alunos riem.


Eu não choro.


Eu subo na corda do ringue.


— PRAZER! Sou Adessa. A puta que vocês assistem escondido e julgam em público!


Silêncio.


Eu aponto para ele.


— E ele? Covarde.


Ele baixa a cabeça.


Não me impede.


Quando eu saio, ele sussurra:


— Dess…


Eu não olho.


Se eu olhar, eu fico.



Na calçada, antes de sumir, eu deixo a última lâmina.


— Espero que Lúcifer cobre com juros.


Eu vou embora.


Sem chorar.


Mas com a certeza de uma coisa: ele não estava com raiva.


Ele estava com medo.


E medo em Vincenzo é coisa séria.



Sweet me abraça no camarim do “Moulin Rouge”.


Espelhos iluminados. Sofás caros. Perfume doce demais. Mulheres colando cílios como quem veste armadura.


Eu me agarro a ela.


Engraçado confiar justo nela.


Fui eu quem pediu ao dono que a contratasse.


— Ela é linda. Sexy. Trabalha bem.


Ele sorriu daquele jeito sujo.


— Vocês já transaram?


— Não é da sua conta.


Ele aceitou. Sempre aceita quando há lucro.


Às vezes me pergunto se sou burra ou só carente.


— É a terceira vez que retoco sua maquiagem — Sweet ri. — Como vai conquistar seu padre exorcista gostosão chorando assim?


— Não quero mais nada com ele.


Mentira fraca.


— Ele é doente. E não é mais padre.


Ela para.


— Não é?


— Não.


— Ele te disse?


— Não… alguém disse.


Eu mesma estranho a frase.


Ela me observa pelo espelho.


— Você ainda ama ele.


— Amar e desamar são dois trabalhos diferentes.


Ela ri. Eu choro.


— Ele vai voltar.


— NÃO QUERO!


Aponto para o meu reflexo.


— Preciso aprender a me valorizar.


Repito como mantra barato.


— Mesmo ele sendo lindo como o pai do meu filho.


Silêncio.


— Filho?


Merda.


— Sim.


— Você tá grávida?


— Sim.


Ela arregala os olhos.


— Camisinha, Adessa.


Reviro os olhos.


— Fecha o zíper.


Ela fecha devagar.


— Não vai descer de biquíni?


— Não vou trabalhar hoje.


— A casa tá lotada!


— Eu estou grávida.


Ela dá de ombros.



— Melhor pra mim. Talvez eu seja arrematada por um milionário.


— A casa te leiloa. O milionário te arremata, idiota.


Carne bem apresentada.


Ela ri.


Mas tem algo nela que não encaixa.


Frio demais.


— É do padreco?


Engulo seco.


Desço as escadas devagar.


A queda do ano passado me atravessa.

Sangue. Hospital. Silêncio.


— Não sei o que fazer — ela sussurra atrás de mim.


— Fica quieta. Faz o básico. Pensa na grana.


— Foi assim na sua primeira vez?


Foi.


Há um ano.


Leiloada.


Arrematada.


Por ele.


Eyes Without a Face tocando.

Vincenzo de smoking, máscara medieval, pagando uma fortuna por algo que nunca precisou comprar.


Antes do abandono.

Antes de Ga’al.

Antes do inferno oficial.


— Que noite fantástica… — murmuro.


— Foi com o padre, né?


— Foi.



O salão vermelho pulsa. Máscaras. Taças. Homens ricos fingindo classe.


Eu procuro ele.


Mesmo dizendo que não quero.


— Amiga! Acorda!


— PARA DE ME EMPURRAR!


— Tô nervosa!


— Relaxa e goza!


Ela ri.


Eu fico.


Ela caminha para o centro como oferenda.


— Torce por mim.


— Vou torcer. Quero te ver longe disso. Quero suas filhas longe daqui.


Ela beija o topo da minha cabeça.


— Você é um anjo, Adessa. Que Jesus te proteja.


Anjo. Claro.


Hoje já repetiram esse gesto duas vezes.


Coincidência nunca é só coincidência na minha vida.


Circulo pelo salão. Atravesso a cozinha impecável. Chefs finalizam pratos caros demais para o tipo de pecado que financia aquilo.


— Posso acompanhá-la? — pergunta um senhor de terno perfeito.


— Estou esperando meu cliente.


Ele beija minha mão e se afasta.


Mentir nunca foi difícil. Só ficou pesado.


— Não fecha! — eu digo ao segurança.


— Todos já chegaram.


— Já?


— Está bem?


— Estou.


Não estou.


Ainda espero que Vincenzo apareça de smoking e diga:


“Eu vim por você.”


Idiota.


— Pode fechar.


A porta se fecha. Lenta. Final.


Fico parada.


Derrotada.


Não. Meu filho está comigo.


— Eu não estou só.


Repito para um convidado que oferece uma pequena fortuna.


— Você parece triste — ele diz.


— Estou radiante.


Ele beija minha mão.


Frio.


Gelado.


Ele se afasta. Antes de desaparecer, vira e sorri.


Errado.


Eu conheço esse sorriso.


— Eu não acredito que ele me ouviu. Porra.



Corro para o banheiro e vomito.


Quando levanto, observo o mármore, o ouro discreto, os espelhos.


— Deve ter custado uma fortuna…


— Certamente.


A voz feminina surge atrás de mim.


Eu viro.


Ela é linda demais para ser comum.


— Com o dinheiro daqui, ele poderia construir centenas de banheiros iguais.


— Não me assustou — minto. — Já estava de saída.


Ela se aproxima um passo.


— Vai ficar para o leilão?


O olhar dela não é desejo.


É cálculo.


— Talvez fique.


Sorrio.


— Te vejo lá fora.


Ela inclina a cabeça.


— E nos teus sonhos.


Eu corro.




— Vendida por dez mil reais!


O leiloeiro vibra como se tivesse acabado de salvar o mundo.


Eu ainda estou tentando engolir o banheiro, a mulher estranha, o sorriso errado… quando o garçom passa por mim.


— Uau. Esse aí tem grana.


Eu também pensei isso.


Há um ano.


Na mesma cadeira onde Sweet agora se contorce, curiosa, vendada.


Naquela noite, eu vibrei ao reconhecer o arrematante.


Vincenzo.


Horas trancados no quarto seis.

Escuridão. Prazer. Silêncios que pesavam mais que culpa.


O idiota só mostrou o rosto ao amanhecer.


Parecia normal.


Ou fingia melhor.


Para de pensar nele, panaca.


— Parei — sussurro para mim mesma.


Dou um passo à frente.


Sweet chama meu nome no meio do burburinho.


O homem desaparece por alguns segundos.


Tempo suficiente.


Inclino-me até o ouvido dela.


— Metade dessa grana é tua, amiga. Aproveita.


— Valeu! — ela grita, eufórica.


Recuo.


E sinto.


O olhar.


O mesmo da reverência.


Meu coração dispara.


Medo?

Raiva?

Ou aquela compaixão doentia que insiste em sobreviver?


Ele passa por mim.


Perto demais.


— Você não merece isso, meu anjo.



O ar abandona meus pulmões.


— Isso o quê?!


Não vejo ninguém.


A escadaria gira.


Seguro o corrimão.


A mesma escada.


Vincenzo me carregou por ela no colo, sorrindo como se o mundo fosse nosso.


— Não.


Engulo seco.


— Não pode ser.


Respira, Adessa.


Respira.


O homem de máscara surge com Sweet nos braços.


Sobe devagar.


Devagar demais.


Eu os sigo, agarrada ao ferro como se fosse a única coisa sólida no mundo.


— É ele.


A constatação corta.


Quarto número seis.


O mesmo.


— Por quê?


Sweet, vendada, ri.


— Eu ouvi a voz dela…


— Não ouviu não, baby.





Vincenzo.


Acabou.


Ele chuta a porta.


A madeira estilhaça o silêncio.


Sweet solta um gritinho sedutor.


Meu corpo quer invadir. Quebrar tudo. Socá-lo até apagar qualquer memória minha nele.


Ele me vê.


Ele sabe.


Tira a máscara.


Sorri.


Aquele sorriso que um dia me desmontou.


Agora me humilha.


Ele pisca.


Fecha a porta.


E grita do outro lado:


— Enfim, sós!


Silêncio.


Meu mundo faz eco.


Por quê?


Horas depois, estou no gramado atrás do casarão.


Escondida de todos.


Principalmente de mim.



Uma música escapa do salão. Triste demais para ser coincidência.



Imagine Dragons ecoa pelos alto-falantes.


Bad Liar.


Seguro a garrafa de vinho roubada da cozinha como se fosse um escudo.


Canto o refrão aos gritos.


Mentirosos sabem cantar a própria culpa.


Eu conheço dois.


Talvez três.


A garrafa esvazia.


Eu não.


Estou cheia.


Ódio. Inveja. Ciúmes. Uma autoestima enterrada viva.


O que estão fazendo lá dentro?

No mesmo quarto onde ele me amou.


Sempre foi ele.


Merda.


Era ele o tempo todo.


Como eu fui tão cega?


A historinha do “aumenta o som”…

“Não pensa tanto”…


— Eu sou muito burra.


— POR QUE FEZ ISSO COMIGO?!


Tento levantar e quase deslizo na grama molhada.


— Quem constrói uma rampa atrás de um puteiro?! Isso é inaceitável!


Rio sozinha.


— Parabéns, idiota. Parabéns por acreditar em homem.


Ergo a garrafa vazia para o céu.


— Eu não vou levantar. Prefiro cantar.


Gargalho da minha própria desgraça.


Então lembro.


Eu não podia beber.


Meu filho.


— NÃO DEIXA O VINHO FAZER MAL A ELE! — grito para o céu estrelado. — Só dessa vez!


Do salão, outra música.


Billy Idol.


Eyes Without a Face.


Claro.



A mesma.


— Que ironia…


Fecho os olhos.


Imagino um conversível a cem por hora, fugindo para a Itália. Ou Irlanda. Qualquer lugar que não carregue o nome dele.


— Tem um oceano entre você e a Europa.


A voz dele.


Eu viro o rosto.


— Some da minha frente.


Ele senta na grama. Smoking caro na lama. Provocador.


— Se ousar ler meus pensamentos, eu quebro essa garrafa na tua cabeça.


— A nossa música? — ele responde, calmo demais. — Fui eu que pedi.


— PARA DE CHAMAR DE NOSSA!


Ele se deita ao meu lado.


— Que cara é essa?


— A cara de quem foi feita de palhaça.


Silêncio.


— Não trepei com ela.


Meu corpo endurece.


— NÃO ME HUMILHA DIZENDO QUE FIZERAM AMOR!


— Não grita.


— Vai pro inferno!


Ele procura minha mão.


Eu deixo.


Idiota.


— Sou muito burra.


— Você é a única mulher que me desmonta.


Quase rio.


— Que prazer você sente entrando e saindo da minha vida?


Ele olha as estrelas.


— Nenhum. Eu tento sair. Não consigo.


Meu coração odeia ouvir isso.


Ele tira o paletó e cobre meus ombros.


Cheiro de maçã verde.


Maldito.


— Eu te amo, Dess.


Eu rio.


— Isso é refrão de música ruim.


— Me deixa ir ou me deixa ficar.


Ele aproxima o rosto.


Eu cuspo na camisa dele.


Ele sorri.


Perigo.


— Faz isso de novo e eu perco o controle.


Eu faço de novo.


Porque sou autodestrutiva.

Porque ainda quero ele.

Porque odeio amar esse homem.


— Você transou com ela?


— Não.


Ele sustenta meu olhar.


— Ela precisava de dinheiro. Só isso. Eu ajudei. Ela foi embora.


Silêncio.


Eu quero acreditar.


Odeio querer acreditar.


— Jura?


Ele levanta o mindinho.


Eu enrosco o meu.


Ridículos.


— Dess…


— Fala logo.


— Quero você.


Ele me ergue no colo.


Eu rio alto demais enquanto subimos as escadas.


Então vejo.


Entre centenas de convidados.


Imóvel.


Ga'al.


Taça erguida. Sorriso que não pertence ao mundo dos vivos.


Ele move os lábios.


“Não vou desistir de você.”


O ar some.


O soco no estômago não era Vincenzo.


Era isso.



Debaixo do chuveiro, Vincenzo me ensaboa devagar. Demora onde sabe que me desmonta. Quando fecho os olhos, ele gira a torneira.


Água fria.


— Castigo pela boca suja — ri, me mantendo sob o jato.


Reclamo. Ele segura meu queixo. Lava meu cabelo com cuidado quase absurdo.


É isso que me destrói.


O homem cruel some. Surge o gentil. O mesmo que me amou a noite inteira. O mesmo que nunca sei qual é real.


Ele me envolve na toalha branca com as iniciais do Moulin Rouge.


Eu cedo.


— Tem certeza de que não transou com a Sweet?


Ele fecha os olhos, impaciente.


— De novo isso?


— Responde.


— Não.


Ele me beija como se quisesse apagar a pergunta.


— Você me deixa maluco.


— Você já é maluco.


Ele para. Me encara sério demais.


— Eu me perdi quando te encontrei. Não sei o caminho de volta. Eu te amo, Dess.


Eu devia acreditar.


Mas algo pulsa errado.


— Você já não é padre.


O silêncio pesa.


O olhar dele muda.


— Como você sabe disso?


— Não sei. Um sonho, talvez.


Ele fica rígido.


— Quem te contou?


— Por que você nunca contou?


Ele desvia.


— Eu consegui me desligar da Igreja.


— Se desligar?


— Do sacerdócio.


Eu sinto a mentira. Ou a metade dela.


— Não minta pra mim.


Ele aproxima o rosto.


— Eu não sou mais padre. Satisfeita?


Eu sorrio.


Ingênua.


— Então agora você é livre.


Ele ri baixo.


— Não. Estou preso.


— A quê?


— A você.


Meu coração dispara.


Ele fala “sempre” como sentença.


Eu sinto medo.


Não amor.


Medo.



Dormimos abraçados.


Ou eu finjo que dormimos.


Acordo com o sol no rosto.


Sorrio.


Chamo por ele.


Nada.


Banheiro vazio.


Volto para o quarto.


Um envelope.


Pequeno.

Leve.

Pesado demais.


Abro.


Notas de cem.


Minhas mãos tremem.


Pego o bilhete.


Leio.


“Parabéns pelo seu desempenho.

Você é uma ótima profissional.

Vou recomendá-la aos meus amigos.

Aceite meu pagamento.

É menos do que merece.


Adeus.


P.S.: Não me procure.”


O mundo fica mudo.


Ele me pagou.


Me transformou naquilo que eu mais temia ser para ele.


Profissional.


Não grito.


Sento na cama onde ele disse que me amava. Onde chorou. Onde me tocou como se fosse eternidade.


E choro sem som.


Uma voz ecoa na minha cabeça:


“Não seja a otária.”


Ele quer que eu o odeie.


Ele precisa que eu o odeie.


E conseguiu.


Seco o rosto.


Levanto.


— Chega, Vincenzo. Acabou.


Minha mão desliza até o ventre.


— Eu preciso ser forte.


Porque agora eu não estou mais sozinha.





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